O empresário José Aurimar Lopes Furtado, proprietário da rede de lojas Sevile, com unidades em cidades do Alto Tietê e do Vale do Paraíba, será cremado amanhã (5), no Crematório de Vila Alpina, em São Paulo. Ele faleceu hoje (4) por complicações do coronavírus, após permanecer 45 dias internado no Hospital Samaritano, em São Paulo.

Ele, a mulher, Selma, e filha, Viviane, contraíram o vírus, mas as condições de saúde do pai, que se tratava há dois anos de um agressivo câncer de próstata, era diabético e hipertenso, tornaram complexa a luta pela vida.

O filho de Furtado, Leandro, afirma que o pai resistiu até ser vencido pela severidade das complicações. "Foi um exemplo, até no tratamento porque permaneceu 45 dias tentando sobreviver", comenta.

A última vez que Leandro conversou com o pai foi em 16 de março, por uma videochamada. No dia seguinte, ele foi intubado e a família não reviu quem começou a trabalhar muito cedo para construir a rede de lojas especializada em lingeries, que possui unidades em Mogi e outras cidades do Alto Tietê e do Vale do Paraíba. Antes da pandemia, eram 15 endereços, iniciados com a primeira loja, aberta em Suzano. Com a restrição do funcionamento do comércio e a crise econômica, esse número chega a 10 atualmente, e com metade dos trabalhadores.

Nascido em Sobral (Ceará), Furtado veio para São Paulo, na década de 1980. Trabalhou como vendedor ambulante e feirante em locais como o bairro do Brás, e Santo Amaro, na Capital, até que, junto à mulher, que era costureira, apostou na venda de lingeries. Deu certo. Ele, a mulher, e os dois filhos tocam a empresa familiar. "Era um sonhador, um batalhador".

Leandro afirma que os pais permaneceram durante muito tempo dentro de casa, por causa da Covid-19; mas com o arrefecimento das restrições, começaram a ir ao supermercado, ao açougue. "Nunca saberemos onde aconteceu a contaminação", resigna=se. afirmando que a saída da pandemia será a passos lentos e longos por conta das dificuldades em se promover ações que, de fato, garantam o recrudescimento dos casos da doença.

"Só podemos confiar em Deus, e ter esperança por dias melhores. Até aqui, tem sido muito desafiador, nós tivemos que demitir metade de nossos funcionários, e eu acho, pessoalmente, que não adianta apenas colocar a culpa nos governantes. O que vejo, nas ruas, são pessoas que não zelam pelo próximo", 

Para ele, será preciso alcançar uma conscientização coletiva. "Eu denunciei uma festa que presenciei, mas a fiscalização não aconteceu. O problema é que se o comércio abre meia-porta, ele é multado em R$ 18 mil. Com uma festa, não acontece nada".

Do pai, Leandro levará lições sobre o empenho em lutar. "Durante toda a vida, ele não desistiu dos seus sonhos, até no hospital, lutou 45 dias, até não conseguir mais".

Sobre esse desafio mundial, que se tornou a crise sanitária, Leandro ainda confia que o homem poderá sair um pouco melhor. "Após tanto sofrimento e perdas, o mundo precisa mudar para algo melhor", deseja ele.

Palmeirense, bom de garfo e de churrasco, de preferência, na praia, Furtado tinha planos de cruzar o Brasil, partindo de São Paulo até chegar à terra-natal, Sobral. Havia comprado uma caminhonete e uma barraca para acampar pelo litoral e outras cidades.

A pandemia interrompeu os planos de quem foi um avô apaixonado pelas netas, Maria Luiza e Maria Vitória, e que não conhecerá o neto mais novo, José Lucas, que está sendo esperado para nascer na próxima semana. Nas últimas palavras dele, disse que esperava "o fim da pandemia e o nascimento do neto para viajar"..