De abril a dezembro passado, 1 em cada 3 mogianos - cerca de 129 mil pessoas - recebeu o Auxílio Emergencial, criado extraordinariamente pelo governo federal para aplacar os reflexos da quarentena e o desemprego no mercado informal. Em oito meses, o benefício movimentou algo em torno de R$ 522,8 milhões na economia da cidade. Esse recurso socorreu milhares de famílias, especialmente as comandadas por mulheres, e injetou dinheiro, sobretudo no comércio e na prestação de serviços.

O auxílio teve seis parcelas a partir R$ 600, um valor que subia segundo a composição familiar, e terminou com quatro pagamentos de R$ 300. 

O Diário cruzou informações da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Portal da Transparência sobre o total recebido até novembro de 2020. O Auxílio Emergencial havia movimentado R$ 342 milhões, com o atendimento de 129 mil mogianos, enquanto o Bolsa Família tinha assistido 25 mil famílias, com o pagamento de R$ 52 milhões; e o Benefício de Prestação Continuada, o BPC, ajudou 9.011 mogianos, num total de R$ 87 milhões. Até dezembro, no entanto, o benefício emergencial passou de meio bilhão.

O início desse processo foi marcado por dificuldades no acesso ao recebimento, o que foi sendo corrigido, inclusive com a devolução dos que não deveriam ter sido contemplados. 

A falta desse dinheiro aprofunda uma grave ferida social exposta pela pandemia e o emprego informal segue prejudicado com a lenta retomada da economia.

Embora o governo federal sofra pressão, ainda não se sabe qual seria o perfil dos assistidos, e especula-se valores menores. Já se falou em R$ 200. Há uma previsão de nova bateria do Auxílio Emergencial, a partir de março, durante quatro meses.

Essa ajuda injetou uma renda extra na economia das cidades, como acompanhou o economista Claudio Costa, que durante o início da pandemia, no ano passado, atuava na Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Ele acredita que a demora no controle da Covid-19, com a lentidão da campanha de vacinação, forçará o governo federal a abrir essa torneira, novamente.

 “Nós temos um grave problema, ao contrário de outros países, que é o fiscal. O governo não pode estourar o teto e, ao mesmo tempo, com a lentidão no combate ao vírus, essa será uma solução para auxiliar essas pessoas e os setores mais atingidos, comércio, entretenimento, turismo, serviços”, pondera.

Costa acena que a criação de um imposto temporário, como a CPMF, poderá ser o caminho para “reduzir os impactos”.

O próprio governo se beneficia com a reedição dos pagamentos. “Nós tivemos um crescimento de 8% nas vendas de eletrodomésticos, além do alto consumo de alimentos e que, aliás, criou algo que não pode acontecer, que foi o aumento de preços, no auge da pandemia. Esses setores geraram impostos”.

Além do aquecimento de setores como o do agronegócio, esse dinheiro extra aumentou a arrecadação do ICMS, que é revertido ao próprio governo.

 

Balanço

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Gabriel Bastianelli, chegou à Prefeitura justamente nas primeiras semanas de suspensão do benefício. Segundo ele, foram recebidos, na cidade, 833 mil pagamentos do Auxílio Emergencial, e um total de R$ 522,8 milhões. A Prefeitura planeja capacitar mão de obra para incrementar atender quem perdeu o emprego (veja abaixo).

O Auxílio Emergencial atendeu microempreendedores e autônomos. “Ele possibilitou um equilíbrio e, agora, planejamos ações para atender inicialmente as parcelas da população de maior vulnerabilidade”. Bastianelli defende que a nova rodada venha acompanhada de um plano de incentivos econômicos, com linhas de crédito às micro e pequenas empresas, atreladas a metas e manutenção de empregos, e flexibilização dos impostos. Quanto ao prazo, sugere uma avaliação mensal, que leve em conta os indicadores econômicos. 

 

À espera 

Entre os mogianos, Michele recebeu o Auxílio Emergencial, que ajudou a sustentar a família formada pelas gêmeas Talita e Taimara, Júnior e o pequeno Miguel Eduardo

 

Meio Bihão

Em 2020, o Auxílio Emergencial movimentou R$ 522 milhões em Mogi das Cruzes. 126 mil mogianos haviam recebido, até novembro passado, 

R$ 342.570.600,00 do  governo federal

 Com estoque de 97 mil vagas ocupadas, Mogi busca empresas 

Apesar da gravidade da recessão econômica sentida principalmente pelo mercado informal, Mogi das Cruzes abriu o saldo de empregos neste ano muito melhor do que o encontrado em janeiro do ano passado. Em 2020, no balanço entre admissões e demissões, a cidade teve um número negativo de 353. Em 2019, esse tombo foi quatro vezes maior, apresentando um saldo de -1.525.

Mas, há notícia alentadora. A pandemia irrigou alguns nichos específicos como os de serviços, saúde e tecnologia. O estoque, em dezembro, foi de 97 mil empregos. Ampliar esse potencial move projetos divulgados pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico que, nas seis primeiras semanas do ano, recebeu a visita de oito empresários interessados em abrir negócios em Mogi.

Juntos, esses “potenciais” empreendimentos podem gerar 2 mil vagas. “Nós continuamos com o mercado de trabalho aquecido, desde o início do ano, temos uma oferta semanal que gira em torno de 280 cargos”, comentou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Gabriel Bastianelli, destacando metas específicas, que começam a sair do papel e de reuniões com empresas, para a capacitação de profissionais em falta.

Um caso interessante é o do deficit de soldadores. Há uma procura por 30 profissionais desta área, que deverá ser solucionada com uma parceria feita entre o Senai e cinco empresas mogianas (Elgin, Magno Peças, Valtra, Rud Correntes e Tecnocurva) para a formação de mão de obra.

Ampliar o diálogo para acertar o passo entre a oferta de empregos e os trabalhadores da cidade é uma promessa do gestor, que também afirma que outros setores, como o de tecnologia, deverão ser incrementados.

O plano da gestão do prefeito Caio Cunha (PODE) para a atração de empresas é “transversal”, e não irá direcionar esforços apenas, por exemplo, ao público atendido pelo Auxílio Emergencial, que se mostrou, aliás, gigante (veja matéria à página 7). “Vamos alinhar os projetos de formação e as estratégias de competitividade e de inovação de uma maneira mais atualizada com o mercado”, indica, contando que nas próximas semanas, a cidade deverá conhecer o Mogi Conecta, que terá essa seiva.

“Mogi das Cruzes tem 60% de áreas a serem preservadas,  há de se pensar no turismo, e tem os distritos industriais, já instalados, como o do Taboão, que é o ‘ouro’ de Mogi. Precisamos atender esses locais, melhorá-los”, avisa.

Quem somos

Essas diretrizes começarão a ser elaboradas a partir de um mapeamento de indicadores econômicos e sociais. Segundo Bastianelli, a falta de dados atualizados sobre quanto cada setor, de fato, gera de empregos e salários, será corrigida pelas novas diretorias que estão sendo implantadas na pasta, que possui hoje 35 servidores.